sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Filosofia da Caixa Preta

Filosofia da Caixa Preta

   Na tentativa de explicar a fotografia e atos relacionados a ela Vilém Flusser formula uma teoria filosófica, a começar tratando-se da imagem e a função da mesma na modernidade, com o passar do tempo a imagem tem tamanha importância que passa a substituir textos informativos, algo que ele julga errado pois em sua concepção deveria ser usada como meio de enriquecer os textos. O autor também ressalta que a imagem pode variar de acordo com a interpretação feito tanto pelo fotografo como o receptor, de acordo com o conhecimento cultural e sensações pessoais de determinado receptor. 
   Flusser afirma que a máquina de fotografar é uma prolongação dos olhos do fotógrafo, ele a define como um produto capaz de gerar produtos, logo é necessário ter discernimento para encontrar imagens que possuam significado e que possam adquirir valor. Ele diz que o usuário comum a utiliza como um brinquedo, sem dar importância ao valor da imagem, fala também sobre a manipulação da imagem, como essa é influenciada pelo fotógrafo e este influenciado pela indústria fotográfica, por interesses dos envolvidos no ato de fotografar a imagem chega ao receptor distorcida.
   O filósofo explica que a pratica de fotografar obedece a certas regras e restrições do aparelho, além de respeitar um ponto de vista, defendido, pelo fotógrafo. Flusser afirma que as fotografias mais verdadeiras são aquelas que aguçam a imaginação, dependendo assim de um raciocínio para a interpretação da fotografia e ressalta também que as cores da fotografia as tornam dependentes da tecnologia usada para que existam, fazendo a imagem impressa obsoleta, outro fato é que a pode ser multiplicada diversas vezes, o que a difere de outros tipos de imagem e a depender de como é apresentada a fotografia pode ter valor comercial, informativo ou artístico.
   O autor diz que a imagem surgiu como forma de nos poupar trabalho, mas acabou por alienar a população, é o que acontece ao apresentar constantemente imagens que não tem significado para a massa. Ele diz que participar desse universo fotográfico significa viver e agir em função do ato de fotografar. Em seu último capítulo, o autor fala da urgência em se criar uma filosofia fotográfica, dizendo que é preciso que essa filosofia liberte o fotógrafo das imposições da indústria fotográfica voltando a comandar o ato de fotografar. Flusser afirma que a tecnologia tem enfraquecido a capacidade de pensar do homem, a filosofia da fotografia seria o agente libertador do homem de um mundo programado, no qual se encontra preso à regras e obrigações.


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