Filosofia
da Caixa Preta
Na tentativa de explicar a fotografia e atos
relacionados a ela Vilém
Flusser formula uma teoria filosófica, a
começar tratando-se da imagem e a função da mesma na modernidade, com o passar
do tempo a imagem tem tamanha importância que passa a substituir textos
informativos, algo que ele julga errado pois em sua concepção deveria ser usada
como meio de enriquecer os textos. O autor também ressalta que a imagem pode
variar de acordo com a interpretação feito tanto pelo fotografo como o
receptor, de acordo com o conhecimento cultural e sensações pessoais de
determinado receptor.
Flusser afirma que a máquina de fotografar é
uma prolongação dos olhos do fotógrafo, ele
a define como um produto capaz de gerar produtos, logo é necessário ter
discernimento para encontrar imagens que possuam significado e que possam
adquirir valor. Ele diz que o usuário comum a utiliza como um brinquedo, sem
dar importância ao valor da imagem, fala também sobre a manipulação da imagem, como
essa é influenciada pelo fotógrafo e este influenciado pela indústria
fotográfica, por interesses dos envolvidos no ato de fotografar a imagem chega
ao receptor distorcida.
O
filósofo explica que a pratica de fotografar obedece a certas regras e
restrições do aparelho, além de respeitar um ponto de vista, defendido, pelo
fotógrafo. Flusser afirma que as fotografias mais verdadeiras são aquelas que aguçam
a imaginação, dependendo assim de um raciocínio para a interpretação da
fotografia e ressalta também que as cores da fotografia as tornam dependentes
da tecnologia usada para que existam, fazendo a imagem impressa obsoleta, outro
fato é que a pode ser multiplicada diversas vezes, o que a difere de outros
tipos de imagem e a depender de como é apresentada a fotografia pode ter valor
comercial, informativo ou artístico.
O autor diz que a imagem surgiu como forma
de nos poupar trabalho, mas acabou por alienar a população, é o que acontece ao
apresentar constantemente imagens que não tem significado para a massa. Ele diz
que participar desse universo fotográfico significa viver e agir em função do
ato de fotografar. Em seu último capítulo, o autor fala da urgência em se criar
uma filosofia fotográfica, dizendo que é preciso que essa filosofia liberte o
fotógrafo das imposições da indústria fotográfica voltando a comandar o ato de
fotografar. Flusser afirma que a tecnologia tem enfraquecido a capacidade de
pensar do homem, a filosofia da fotografia seria o agente libertador do homem
de um mundo programado, no qual se encontra preso à regras e obrigações.
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